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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Troco minha barra de cereais pelo seu pirulito

Imagens google

Eu vivia no mundo dos sonhos
Acordava pela manhã e colocava um vestido lindo, rosinha, de princesa.
Olhava meu desenho favorito e brincava com meus amigos.
Não me importava se o vestido fosse sujar, afinal para mim ele era feito pra isso, para voltar pra casa sujo de lama, patas de cachorro e grama grudada por todas as partes.
Olhar novela e tomar chimarrão era como vitórias porque eram coisas de adultos.
Tudo era fácil.
Nunca entendi porque meus pais e professores complicavam tanto, por tão pouco.
Preocupação. O que era isto? Sei lá. Eu não tinha.
Contas a pagar eram como papéis que adultos pagavam como no super mercado para poder comprar luz, água e casa.
Meus melhores amigos eram todos de quem eu gostava.
As velhas chatas e rabugentas da rua eram bruxas e as únicas de quem havia medo.
O amor da minha vida era o galã da novela e o garoto um ano mais velho que eu.

Hoje vivo em que mundo? No meu.
Hoje acordo pela manhã e visto uma roupa adequada para o trabalho.
Não da tempo de assistir TV porque tenho que tomar café "correndo". Mas ainda tenho meu desenho favorito.
Dou bom dia a "desconhecidos" e fico louca se minha roupa sujar até o final do dia. Afinal não é nada apresentável andar por ai suja.
Tomar chimarrão e assistir novelas são coisas banais e sem graça. Prefiro sair e fazer algo diferente.
Luto para que as coisas sejam fáceis.
Hoje sou eu quem complico atoa. Às vezes paro e lembro como era fácil não complicar.
Hoje tenho preocupações. Como não se preocupar no mundo de hoje, quando alguém da família não chega em casa no mesmo horário?!
Contas a pagar não são como super mercado. Super mercado eu gosto, as contas eu preferia que desaparecessem.
Meus melhores amigos são poucos.
O medo é de bandidos e marginais.
O amor da minha vida eu sei quem é.

Prefiro diversão a compromisso. Prefiro festa do que jantares. Prefiro parques de diversão a restaurantes. Prefiro chocolate a pão. Prefiro pirulito a barras de cereal. Prefiro um bom papel e um bom lápis a um computador. Prefiro ser criança a crescer. Prefiro ser feliz a ser um adulto.

Que saudades do tempo em que o simples era o melhor e aquela pequena e velha casa em um bairro qualquer da cidade era um palácio. Daria tudo para voltar naquele tempo, naquela casa e nunca crescer.


Débora Souza - 23.07.08

13 comentários:

  1. Eu também tenho esse tipo de nostalgia... era uma época tão boa!!!

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  2. Ah saudade né...

    bom, eu usei o minina, o primeiro modelo do blogger...
    Qualquer dúvida me da um toque...

    beijos

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  3. Bons e leves tempos... Na verdade eu não queria trocar, mas balacear ajustando os dois ao apertar um simples botão. Será que tem como fazer isso sem errar a dose? risos

    Beijinhos e Upaaa \0/

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  4. Às vezes eu tenho vontade de voltar pra barriga da minha mãe...

    Bjo

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  5. nossa adorei a reflexao se bem que nao queria voltar a ser criança pois fui uma criança muito mirradinha motivo de chacotas. Hoje consigo dar a volta por cima, mas quando crriança so sabia chorar e sofrer. talvez seja por isso que hoje sou adulta mas com alma de criança mesmo com contas a pagar e tudo mais tento viver o tempo que perdi quando pequena...

    bjokas querida

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  6. Olha eu NÃO faço essa troca porque ODEIO barra de cereal e ADORO pirulito rsrs

    Barra de cereal parece 'ração' pra animal..rs

    Mas a reflexão é DELICIOSA e eu também 'Dou bom dia a "desconhecidos"'

    Aliás, dou bom dia pra VIDA...e muitas vezes ela retribui, sorri e me dá BOM DIA de volta.

    bjo...BOM DIA pra vc também!

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  7. A questão é que não crescemos.
    Viramos "pessoas estranhas a nós mesmas".
    Dói uma dor que não se identifica mas que se sente sim.
    Para sempre.

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  8. Que lindo texto, me deu até vontade de chorar. Mas eu prefiro olhar o presente e ver a beleza que há nele. Senão, a gente não anda pra frente.
    Beijos!

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  9. Vida de adulto traz responsabilidades, mas também liberdade. Eu acho que vale mais a pena... :)

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  10. É engraçado perceber como os sentimentos se igualam embora as pessoas muitas vezes nem se conheçam.
    Também escrevi sobre isso faz uns dias, essa nostalgia de nós mesmos e dos sentimentos de nem tanto tempo atrás...
    Gostei daqui.
    Belo texto!
    Beijos.

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