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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

EU



É impressionante o quanto tento me fazer conhecer e percebo que ninguém me conhece.
Minhas tentativas frustradas de dar um basta em atitudes que me incomodam me fizeram perceber que tentar mudar as pessoas não é fácil. O ser humano prefere contrariar ao perceber que estão tentando lhe mudar.
É assustador a quantidade de mudanças que eu gostaria de fazer. Colocadas em um papel, se fariam um livro. Para quem está de fora seria um livro de piadas. Para quem eu citasse seria um livro de mau gosto.
Poderia citar a mim mesma como uma criatura que antes de enfrentar seus medos prefere tentar outros caminhos. Admito que meus medos mais tolos é que me fazem tentar mudar quem está ao meu redor. Ah se eu tivesse uma varinha mágica...
Já magoei pessoas com meus palpites furados. E não adianta porque a maioria pensa que sou louca, paranóica e que nada do que falo faz sentido, porque acham que mudanças em outras pessoas não mudaria nada em minha vida. Mudaria...

Tem uma voz em minha cabeça que diz: Débora te liga, você vai morrer tentando, pare com isso e mude você mesma.
E eu digo: Não dá.
E não dá mesmo. Já tentei, mas resgatar minha tolerância e minha paciência há muito tempo perdidas é como me dizer para tirar uma parte de mim só para agradar os outros... Saco... É o que estou tentando fazer com as pessoas.
Se eu posso ajudar alguém a se melhorar. Por que eu não posso tentar? Eu sei. Porque ninguém pediu minha ajuda. E dai. Eu também não peço opinião de ninguém e tem sempre um querendo dar palpite.

Talvez eu devesse ir a um asilo procurar ajuda. Afinal, lá é que moram os mais experientes. E já estou visualizando um senhor ou uma senhora com seus tantos anos vividos me dizendo: Débora, talvez você consiga mudar alguém um dia, mas saiba que ficar tentando é a mesma coisa que persistir na tentativa de encostar a língua no nariz.

Débora Souza - 22.08.08

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

23

Imagem retirada do blog: http://lonelyspaceship.blogspot.com

Era uma vez um homem "da cidade grande" que conheceu uma mulher do interior. Eles se apaixonaram e começaram a namorar. A primeira vez que ele a beijou, ela na sua ingenuidade do interior, achou que estava grávida. Parece piada? Parece, mas não é. Esses são meu pai e minha mãe a trinta e muitos anos atrás.


Meus pais namoraram durante 8 anos até se casar. Nas fotos do casamento, meu pai usava terno lilás e gravata bordô. Ainda bem que ao longo do tempo ele adquiriu bom gosto em relação a cores de roupas. Minha mão usava o branco básico de todos os casamentos. Um tempo depois de casados, ganharam minha irmã mais velha, Lilian, hoje com 30 anos. Depois da minha irmã, eles começaram a tentar um menino, mas 4 anos depois veio mais uma menina, Adriana, minha irmã do meio, hoje com 26 anos. Continuaram a tentar um menino. 4 anos depois, eu, mais uma menina. Pararam de tentar. Tentam me convencer que sou a "rapinha do tacho", mas não conseguem. Ninguém me tira da cabeça que sou a pecinha que faltava.


1986 nasci. Não lembro da minha vida antes dos 3 ou 4 anos. Lembro de quando fui pra escola, pré-escola, oh tempinho bom. Lembro de quando fiquei pela primeira vez sozinha em casa e fugi para a escola onde minha irmã estudava. Que confusão que eu criei. Lembro das brincadeiras com as crianças da vizinhança. Lembro que fugia para subir em árvores. Lembro da minha babá e que desde criança eu era péssima em futebol e em qualquer outro esporte. E sempre ficava na goleira, isso significa, o saco de pancadas.


Na adolescência eu descobri que ficar dentro de casa me deixava de mau humor. Até hoje isso não mudou. Descobri festas, vários amigos, conversas longas por telefone, garotos, olhares, ficadas, fofocas, disputas, roupas, futilidade, caminhos certos e errados, pessoas boas e más, o que importa e o que é descartável, confusão, muita confusão e principalmente diversão. Fase confusa essa. Passou. Eu me descobri. Sei quem eu sou. Sei de onde vim. Pra onde vou é um detalhe, que só interessa a mim. Parei de querer o que passou. Tem coisas que não voltam. O que tiver que ser será. Só eu posso escrever o meu futuro. Eu tenho esse poder. Eu quero. Eu posso.


Tenho 23 anos e me sinto com 15. Às vezes chego a agir como se tivesse 15 e não me importo. Odeio me sentir adulta. Adulto é um saco. Adulto é estranho. Até hoje não descobri se adulto não tem lógica alguma ou tem lógica de mais. Mas não importa. Muita coisa não importa. Muita coisa que eu sempre dei importância e não deveria. 23 anos de pensamentos perdidos. Mas também de bons pensamentos. 23 anos de histórias. 23 anos de vida. 23 anos de Débora, a pecinha que faltava.



Débora Souza - 15/06/2009