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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

No Piiiiiiiiiiiiii de Bacopari


Bacopari. Aquela cidadesinha no interior de Mostardas. Aquela da crônica passada. Lembram? Não? Ok.

Voltei a Bacopari firme e certa de que ia chegar até o mar, dessa vez, pelas dunas. Eu não cheguei. Na verdade cheguei mas foi pela estrada mesmo e de carro. Não foi emocionante? É ai que vem a melhor parte. Foi tão emocionante quanto andar pelas dunas a pé durante duas a mais horas com muita areia movediça. Foi tudo de GOOD quanto. Isso por que existe peixe que adora se meter em mar de tubarão. Eu sou um Beta no meio do oceano.
A estrada era pra Jipe ou Caminhonete ou Caminhão ou sei lá, qualquer coisa grande. Mas não era pra Uno. E nós fomos de Uno. O nome dele é Godofredo, pra quem não conhece ( Carrinho simpático, um tanto teimoso, mas é só fazer um carinho que ele obedece) .
O pobre Godofredo quase virou, andou no meio de muita água, atolou na areia, foi rebocado por desconhecidos simpáticos e sobreviveu.
Vitória do Godofredo. Como ele está agora? Com um barulho esquisito, só tranca quando quer, da umas engasgadas, mas chegou em casa vivo. Vitória do peixinho que resolveu sair do aquário.

E Bacopari? Há sim, continua a mesma. Linda de babar.



Débora Souza – 08.02.10

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Aproveitando a viagem

Bacopari

Sempre morei no Rio Grande do Sul. Sempre achei que conhecia o Rio Grande do Sul. Sempre achei que sabia falar do Rio Grande do Sul. Sempre vivi achando de mais.
Ninguém conhece o Estado onde mora até visitar lugares onde não moraria nem a tapa. Com certeza eu não moraria onde passa um carro a cada dez minutos. É contra minha necessidade por multidão. Eu preciso ouvir barulho, nem que seja do ventilador.
Mas lá estava eu em Bacopari. Uma cidadezinha que fica perto de Mostardas, Palmares, da praia de Dunas Altas (que tão pouco sabia existir) e de onde mais quiserem que fique, por que todos acham que tudo é perto mesmo. Acredite, se um morador de uma cidade pequena diz que o “raio que o parta” fica logo ali, se prepare pra chegar lá amanhã. Não sei o que eles entendem por logo ali, mas com certeza não é a mesma coisa que eu entendo.
Voltando a Bacopari. Cidade pequena, pessoas simpáticas, cachorros, uma lagoa linda, dunas perfeitas de um deserto amplamente gigantesco, apenas uma operadora de celular (que óbvio não era a minha) e um mar que dizem existir, mas que até hoje eu não achei. Vi o mar de longe, mas acho que era miragem.
Se estiver a procura de diversidade, vá a Bacopari e suba dunas, desça dunas, suba novamente, desça novamente e assim sucessivamente nesta mesma ordem durante horas. Vá à procura do mar pelas dunas, você vai achar, se quiser. Quando estiver no meio das dunas vai ficar hipnotizado com tanta beleza. Só não esqueça de deixar pegadas caso queira voltar pelo mesmo lugar.
Prometi que volto lá para chegar até o mar a pé. É uma questão de honra. Mas não vou voltar só pelo mar. Quero voltar por que lembrei de minha infância. As crianças são simples como há tempos eu não via. As meninas com 12 anos sentadas na varanda só pra ver o garoto de quem estão de olho passar de moto sem camisa e sem capacete, afinal qual é o guardinha que vai ir até lá.
Pessoas simples fascinam. Lugares simples fascinam. Descobri que o mato, o verde, a falta de casas e prédios me fascina. Gosto de passar por lugares sem movimento. Por horas, horas e horas. O Rio Grande do Sul é maior e mais belo do que muitos pensam. Adoro a terra em que vivo. Apesar de não conseguir me sentir em casa.
Sempre morei no Rio Grande do Sul. Mas minha cabeça nunca esteve aqui... Um dia eu vou busca - lá, quando descobrir onde está. Mas não estou à procura, pois estou a 22 anos aproveitando a viagem. (Agora 23)

Arte nas areias de Bacopari



Débora Souza - 27.01.09

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Assim

Imagem:blogs.diariodepernambuco.com.br/.../onibus.jpg

-Sobre o que é o livro que tu ta lendo moça?
-Sobre vampiros.
-Mas é vampiro de verdade?
-Não, é só ficção.
-ahhhh... Tu estuda moça?
-Sim.
-Estuda o que?
-Artes visuais.
-Mas tu ta na pública?
-Não.
-Tu já viu que na pública tem cota pra gente escura?(gente escura???heim????quem ensinou isso à ele???)
-Já. Mas acho tudo isso uma grande besteira. Apenas mais uma forma de preconceito.

Foi ai que a conversa acabou. Foi ai que o tio do meu lado, que não sei de onde vinha, mas que falava de um jeito estranho, desistiu de tentar puxar assunto comigo. Já haviam ocorrido outras tentativas anteriormente, do tipo "Pra onde você vai?", mas sem sucesso. Eu estava absorvida de mais pelo livro e sou anti-social de mais pra conversar com um estranho dentro de um ônibus com rumo ao interior.

Estava a caminho da casa de minha vó, no início de julho, férias de inverno. Não pensei muito antes de ir. Pra muitos pode ser normal. No meu caso, é estranho. Sempre pensei de mais. Parei com isso.

Quando cheguei à cidade de minha vó e desci do ônibus naquele lugar pequeno e cheio de neblina as 10:20 na manhã, parei e percebi que era a primeira vez que eu viajava sozinha. Não sozinha apenas sem família, mas sozinha sem família, amigos, namorado e companhias limitadas. Até o momento estava me achando velha por ter 23 anos. Então lembrei que se eu decidisse fazer isso em outra época, jamais me permitiriam.

E é assim que eu percebi que não estou ficando velha e sim livre. É assim que o mundo nos da um banho de água quente e nos tira do gelo. É assim que podemos ir e vir pra onde quisermos... mesmo sem saber pra onde. É assim que fazemos nosso futuro, trilhando por muitos caminhos. É assim que eu percebi que a cidadezinha a qual eu achava chata, quando era criança, é na verdade muito confortável e perfeita pra descansar. É assim que vi que tenho muito em comum com minha vó, quando achava que não tinha nada. É assim que podemos soltar nossas opiniões em ônibus de viagem e encarar as caras feias e risadinhas a parte, sem sua mãe ao lado dizendo "Cadê a educação que eu te dei?". É assim que eu sei que posso fazer minhas próprias escolhas a hora que eu quiser e quando me der vontade.
Débora Souza - 06.08.09