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domingo, 17 de abril de 2011

COMO?

Você já tentou abraçar o mundo? Deu certo? Não cansou? Não teve a sensação que tudo estava prestes a cair? Que o lado direito fugiria por cima, o esquerdo por baixo e o do meio, assim sem paredes, iria para o chão? Não doeu suas costas? Não tinha peso de mais? Não sentiu dormência, sonolência e falta de paciência? Não achou que faltavam mãos, braços e um pouco de espaço? Não achou que a memória diminuiu junto com o tempo? Não viu que tinha a ilusão de ser um super-homem?

Percebeu que estava na hora do herói se aposentar? Sim? Como? Como aceitou? Como encarou? Como mudou? Como não pirou, droga!? Como sobreviveu? Não se pergunta ainda por que você? Por que foi necessário? Por que te diziam que não era vida? Por que você sempre soube que não era, mas por que não? Por que não podia ser?

Como chegou nessa? Já parou pra pensar como pirou? Como tantas coisas entraram em sua cabeça ao mesmo tempo? Como pode cair no seu próprio golpe? Como não se deu conta do que deixou pra trás? É, pra trás. Você pode abraçar o mundo e carregá-lo enquanto conseguir. Mas pedaços da vida vão ficando pelo caminho.


Por que? Como?



Débora Souza 17.04.2011

sábado, 24 de abril de 2010

A vida é brinquedo que para nada serve, a não ser para a alegria! (Rubem Alves)


Cara sábio esse Rubem...
...Pra que serve isso tudo? Pra aprender? POUPE-ME. Conheço muita gente com mais de 50, que até hoje não aprendeu o que realmente deveria. A falta de humildade é ridícula. O querer chamar a atenção a qualquer custo é ridículo. O se achar melhor que o mundo é repugnante.

Não pode vencê-los? Ria deles. Ria, sorria e poupe as rugas.



Débora Souza 24.04.10

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

?

As pessoas me perguntam "Porque você faz isso?" e no outro dia estão fazendo igual. Alguém me explica?

Fico esperando não ter o que fazer, mas fico de mau humor quando não tenho.

Eu amo andar a pé e vivo de salto alto.

imagens google

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Saiu da minha mente perigosa

Quando se tem certa idade, começamos a achar que tudo vai rolar. E rola, se formos atrás, é claro.

Li no orkut de um amigo a seguinte frase " Só cai quem voa ". As vezes temos que voar sem nem mesmo saber o destino. Chutar aquilo que te incomoda, sabe?! Mudar de lugares, se livrar de gente chata, mudar o caminho pra casa, sei lá, vai fundo, de um uuuuuuuu na sua vida. Talvez de certo, talvez não. Talvez você vai parar apenas na PQP, talvez também, brincadeirinha, talvez não...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

De mim para mim mesma


Debora, minha querida Debora
Para que se lamentar tanto se você tem o que precisa?
Pra que olhar para trás quando o mundo está a sua frente, coisas melhores estão esperando por você e você está ai se perguntando porque não foi assim?
Meu anjo, olhe ao seu redor e veja o que a vida lhe oferece
Olhe ao seu redor e veja quantos rostos lindos lhe sorriem todos os dias.O que? Sim eu sei Debora, eu sei que nem todos os sorrisos são sinceros e muitos são debochados, toscos, irritantes, amarelos, banais e repetitivos como você pensa.Mas Debora, minha querida Debora quem lhe disse que seu sorriso é sempre verdadeiro Debora?!
Eu sei querida, eu sei que 90% de seus sorrisos são verdadeiros, mas você tem que admitir meu bem...que quando você não quer sorrir seu rosto também parece irritante aos olhos de muitos.
E seu sorriso? Quando você sorri com tristeza para aquele rapaz que você sabe quem, seu sorriso é triste e sem vontade.Mas também tenho que admitir que quando você sorri para ele com felicidade, meu bem, seu sorriso é o mais verdadeiro que já vi.E é, você tem razão em dizer que as vezes ele merece um sorriso triste.
E ele Debora?!Já que estamos falando nele, vamos a fundo Debora.Nãoooooo, nem pense em fugir do assunto.Debora você ama este rapaz.Você ama sim Debora, mas o amor meu anjo, o amor é estranho, mais estranho do que você meu bem.Ok, estranho é meu passado.Mas voltando ao amor, meu anjo o amor tem tantas surpresas e muda tanto de ideia que você deve parar de se preocupar tanto e viver mais, beijar mais esse menino enquanto vocês se amam.Você não sabe se ele lhe ama? E dai? Desculpa, mas e dai mesmo.Você se ama, sua família lhe ama e é isso que importa.
Falando em família.Querida se você não parar de brigar com sua mãe você não vai parar de brigar com você mesma meu bem.E suas irmãs? Adriana, ah que coração bom, sempre foi uma mãe pra você, então Debora escute-a mais Debora, não adianta só amar.
E sabendo que não adianta só amar Debora, você já sabe o que vou dizer, converse mais com a Lilian.Vocês tem muitas coisas em comum, apesar de não concordarem em quase nada e ser muito difícil manter um diálogo sem brigas por muito tempo.
E seu pai Debora?!Vocês se amam sim e pare de julgar Debora.Sobre ele é só o que tenho a lhe dizer e sei que basta para você entender.
Trabalhe, viva, mude, sonhe e Debora, por favor meu anjo eu lhe suplico, pare de se preocupar com o futuro, eu sei que você deve planejar algumas coisinhas para o futuro, mas Debora, Não se preocupe tanto, porque o futuro querida é o amigo mais traiçoeiro e falso que você tem.As vezes Debora o futuro lhe passa rasteiras, te empurra, te testa e até te abandona.Mas não pense nele Debora. Apenas viva o presente Debora que é um amigo meio louco e inconsequente mas que no momento é seu.
Um dia você vai ter um cachorro novamente. Sim, sim o nome dele pode ser Jimmy, Jimmy Newton e ele vai ser cabeçudinho sim.
Você vai ser Artista Plástica e o que lhe contenta é o prazer de colocar no papel a vida que é tão difícil, de uma forma mais bonita, colorida e do seu jeito.E que jeito estranho que você tem de ver a vida.Desculpa.Eu sei que você já me disse que estranho é meu passado, não Debora, estranha sou eu mesma.Graças a Deus. Agora você ri né?! Eu sabia que você adora ser assim, do seu jeito , estranha. Estranha, mas interessante e sempre com uma surpresa.
Menina, ninguém consegue adivinhar o que pensa, o que você escreve, sobre quem você escreve. Debora ninguém lhe entende, ninguém lhe decifra, ninguém lhe conhece e você gosta disso e ainda ri, você ri muito disso Debora e não tem como não rir com você.
Amigos Debora? Você tem poucos. Inveja Debora? Sempre existirá. Mas ninguém lhe derruba e você tem que saber disso.
Aquele amigo distante sempre estará em seu coração e você no dele.
Debora o importante é que você se ama e eu te admiro por isso.
E dê mais abraços meu bem, eles tem um poder imenso...você tem dificuldade, eu sei, mas você consegue, você sempre consegue. E eu te amo por isso.


Débora Souza 17.07.08

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Troco minha barra de cereais pelo seu pirulito

Imagens google

Eu vivia no mundo dos sonhos
Acordava pela manhã e colocava um vestido lindo, rosinha, de princesa.
Olhava meu desenho favorito e brincava com meus amigos.
Não me importava se o vestido fosse sujar, afinal para mim ele era feito pra isso, para voltar pra casa sujo de lama, patas de cachorro e grama grudada por todas as partes.
Olhar novela e tomar chimarrão era como vitórias porque eram coisas de adultos.
Tudo era fácil.
Nunca entendi porque meus pais e professores complicavam tanto, por tão pouco.
Preocupação. O que era isto? Sei lá. Eu não tinha.
Contas a pagar eram como papéis que adultos pagavam como no super mercado para poder comprar luz, água e casa.
Meus melhores amigos eram todos de quem eu gostava.
As velhas chatas e rabugentas da rua eram bruxas e as únicas de quem havia medo.
O amor da minha vida era o galã da novela e o garoto um ano mais velho que eu.

Hoje vivo em que mundo? No meu.
Hoje acordo pela manhã e visto uma roupa adequada para o trabalho.
Não da tempo de assistir TV porque tenho que tomar café "correndo". Mas ainda tenho meu desenho favorito.
Dou bom dia a "desconhecidos" e fico louca se minha roupa sujar até o final do dia. Afinal não é nada apresentável andar por ai suja.
Tomar chimarrão e assistir novelas são coisas banais e sem graça. Prefiro sair e fazer algo diferente.
Luto para que as coisas sejam fáceis.
Hoje sou eu quem complico atoa. Às vezes paro e lembro como era fácil não complicar.
Hoje tenho preocupações. Como não se preocupar no mundo de hoje, quando alguém da família não chega em casa no mesmo horário?!
Contas a pagar não são como super mercado. Super mercado eu gosto, as contas eu preferia que desaparecessem.
Meus melhores amigos são poucos.
O medo é de bandidos e marginais.
O amor da minha vida eu sei quem é.

Prefiro diversão a compromisso. Prefiro festa do que jantares. Prefiro parques de diversão a restaurantes. Prefiro chocolate a pão. Prefiro pirulito a barras de cereal. Prefiro um bom papel e um bom lápis a um computador. Prefiro ser criança a crescer. Prefiro ser feliz a ser um adulto.

Que saudades do tempo em que o simples era o melhor e aquela pequena e velha casa em um bairro qualquer da cidade era um palácio. Daria tudo para voltar naquele tempo, naquela casa e nunca crescer.


Débora Souza - 23.07.08

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Aproveitando a viagem

Bacopari

Sempre morei no Rio Grande do Sul. Sempre achei que conhecia o Rio Grande do Sul. Sempre achei que sabia falar do Rio Grande do Sul. Sempre vivi achando de mais.
Ninguém conhece o Estado onde mora até visitar lugares onde não moraria nem a tapa. Com certeza eu não moraria onde passa um carro a cada dez minutos. É contra minha necessidade por multidão. Eu preciso ouvir barulho, nem que seja do ventilador.
Mas lá estava eu em Bacopari. Uma cidadezinha que fica perto de Mostardas, Palmares, da praia de Dunas Altas (que tão pouco sabia existir) e de onde mais quiserem que fique, por que todos acham que tudo é perto mesmo. Acredite, se um morador de uma cidade pequena diz que o “raio que o parta” fica logo ali, se prepare pra chegar lá amanhã. Não sei o que eles entendem por logo ali, mas com certeza não é a mesma coisa que eu entendo.
Voltando a Bacopari. Cidade pequena, pessoas simpáticas, cachorros, uma lagoa linda, dunas perfeitas de um deserto amplamente gigantesco, apenas uma operadora de celular (que óbvio não era a minha) e um mar que dizem existir, mas que até hoje eu não achei. Vi o mar de longe, mas acho que era miragem.
Se estiver a procura de diversidade, vá a Bacopari e suba dunas, desça dunas, suba novamente, desça novamente e assim sucessivamente nesta mesma ordem durante horas. Vá à procura do mar pelas dunas, você vai achar, se quiser. Quando estiver no meio das dunas vai ficar hipnotizado com tanta beleza. Só não esqueça de deixar pegadas caso queira voltar pelo mesmo lugar.
Prometi que volto lá para chegar até o mar a pé. É uma questão de honra. Mas não vou voltar só pelo mar. Quero voltar por que lembrei de minha infância. As crianças são simples como há tempos eu não via. As meninas com 12 anos sentadas na varanda só pra ver o garoto de quem estão de olho passar de moto sem camisa e sem capacete, afinal qual é o guardinha que vai ir até lá.
Pessoas simples fascinam. Lugares simples fascinam. Descobri que o mato, o verde, a falta de casas e prédios me fascina. Gosto de passar por lugares sem movimento. Por horas, horas e horas. O Rio Grande do Sul é maior e mais belo do que muitos pensam. Adoro a terra em que vivo. Apesar de não conseguir me sentir em casa.
Sempre morei no Rio Grande do Sul. Mas minha cabeça nunca esteve aqui... Um dia eu vou busca - lá, quando descobrir onde está. Mas não estou à procura, pois estou a 22 anos aproveitando a viagem. (Agora 23)

Arte nas areias de Bacopari



Débora Souza - 27.01.09

terça-feira, 8 de setembro de 2009

GramadO


Eu odeio frio, mas nasci no Rio Grande do Sul. Esse final de semana eu e meu namorado (na verdade é noivo, mas eu não me acostumei com isso ainda.) resolvemos ir pra Gramado. Fomos no sábado e voltamos no domingo. Já havíamos ido outras vezes, mas eu nunca tinha olhado pra Gramado como olhei dessa vez. Talvez seja a minha vontade de deixar Novo Hamburgo para quem se sente em casa aqui e procurar a minha "casa". Ou talvez seja apenas o fato de termos esquecido a máquina fotográfica em casa. Exato, a máquina fotográfica. Sou louca por tirar fotos de lugares lindos. Nas férias de verão tirei tantas fotos que não lembro da metade, mas não lembro de detalhes dos lugares em que estive.
É fato que eu tenho dificuldade de prestar a atenção em uma coisa só por muito tempo, mas nunca tinha notado que com a máquina fotográfica na mão eu presto a atenção só no que eu "quero".
Gramado é tudo de lindo. Principalmente quando se olha os detalhes. Até o frio combina com a cidade. Um dia quem sabe eu fico por lá. Mas eu preciso ir e vir, se não perderia a beleza do caminho.

Débora Souza - 08.09.09

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

23

Imagem retirada do blog: http://lonelyspaceship.blogspot.com

Era uma vez um homem "da cidade grande" que conheceu uma mulher do interior. Eles se apaixonaram e começaram a namorar. A primeira vez que ele a beijou, ela na sua ingenuidade do interior, achou que estava grávida. Parece piada? Parece, mas não é. Esses são meu pai e minha mãe a trinta e muitos anos atrás.


Meus pais namoraram durante 8 anos até se casar. Nas fotos do casamento, meu pai usava terno lilás e gravata bordô. Ainda bem que ao longo do tempo ele adquiriu bom gosto em relação a cores de roupas. Minha mão usava o branco básico de todos os casamentos. Um tempo depois de casados, ganharam minha irmã mais velha, Lilian, hoje com 30 anos. Depois da minha irmã, eles começaram a tentar um menino, mas 4 anos depois veio mais uma menina, Adriana, minha irmã do meio, hoje com 26 anos. Continuaram a tentar um menino. 4 anos depois, eu, mais uma menina. Pararam de tentar. Tentam me convencer que sou a "rapinha do tacho", mas não conseguem. Ninguém me tira da cabeça que sou a pecinha que faltava.


1986 nasci. Não lembro da minha vida antes dos 3 ou 4 anos. Lembro de quando fui pra escola, pré-escola, oh tempinho bom. Lembro de quando fiquei pela primeira vez sozinha em casa e fugi para a escola onde minha irmã estudava. Que confusão que eu criei. Lembro das brincadeiras com as crianças da vizinhança. Lembro que fugia para subir em árvores. Lembro da minha babá e que desde criança eu era péssima em futebol e em qualquer outro esporte. E sempre ficava na goleira, isso significa, o saco de pancadas.


Na adolescência eu descobri que ficar dentro de casa me deixava de mau humor. Até hoje isso não mudou. Descobri festas, vários amigos, conversas longas por telefone, garotos, olhares, ficadas, fofocas, disputas, roupas, futilidade, caminhos certos e errados, pessoas boas e más, o que importa e o que é descartável, confusão, muita confusão e principalmente diversão. Fase confusa essa. Passou. Eu me descobri. Sei quem eu sou. Sei de onde vim. Pra onde vou é um detalhe, que só interessa a mim. Parei de querer o que passou. Tem coisas que não voltam. O que tiver que ser será. Só eu posso escrever o meu futuro. Eu tenho esse poder. Eu quero. Eu posso.


Tenho 23 anos e me sinto com 15. Às vezes chego a agir como se tivesse 15 e não me importo. Odeio me sentir adulta. Adulto é um saco. Adulto é estranho. Até hoje não descobri se adulto não tem lógica alguma ou tem lógica de mais. Mas não importa. Muita coisa não importa. Muita coisa que eu sempre dei importância e não deveria. 23 anos de pensamentos perdidos. Mas também de bons pensamentos. 23 anos de histórias. 23 anos de vida. 23 anos de Débora, a pecinha que faltava.



Débora Souza - 15/06/2009