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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Aproveitando a viagem

Bacopari

Sempre morei no Rio Grande do Sul. Sempre achei que conhecia o Rio Grande do Sul. Sempre achei que sabia falar do Rio Grande do Sul. Sempre vivi achando de mais.
Ninguém conhece o Estado onde mora até visitar lugares onde não moraria nem a tapa. Com certeza eu não moraria onde passa um carro a cada dez minutos. É contra minha necessidade por multidão. Eu preciso ouvir barulho, nem que seja do ventilador.
Mas lá estava eu em Bacopari. Uma cidadezinha que fica perto de Mostardas, Palmares, da praia de Dunas Altas (que tão pouco sabia existir) e de onde mais quiserem que fique, por que todos acham que tudo é perto mesmo. Acredite, se um morador de uma cidade pequena diz que o “raio que o parta” fica logo ali, se prepare pra chegar lá amanhã. Não sei o que eles entendem por logo ali, mas com certeza não é a mesma coisa que eu entendo.
Voltando a Bacopari. Cidade pequena, pessoas simpáticas, cachorros, uma lagoa linda, dunas perfeitas de um deserto amplamente gigantesco, apenas uma operadora de celular (que óbvio não era a minha) e um mar que dizem existir, mas que até hoje eu não achei. Vi o mar de longe, mas acho que era miragem.
Se estiver a procura de diversidade, vá a Bacopari e suba dunas, desça dunas, suba novamente, desça novamente e assim sucessivamente nesta mesma ordem durante horas. Vá à procura do mar pelas dunas, você vai achar, se quiser. Quando estiver no meio das dunas vai ficar hipnotizado com tanta beleza. Só não esqueça de deixar pegadas caso queira voltar pelo mesmo lugar.
Prometi que volto lá para chegar até o mar a pé. É uma questão de honra. Mas não vou voltar só pelo mar. Quero voltar por que lembrei de minha infância. As crianças são simples como há tempos eu não via. As meninas com 12 anos sentadas na varanda só pra ver o garoto de quem estão de olho passar de moto sem camisa e sem capacete, afinal qual é o guardinha que vai ir até lá.
Pessoas simples fascinam. Lugares simples fascinam. Descobri que o mato, o verde, a falta de casas e prédios me fascina. Gosto de passar por lugares sem movimento. Por horas, horas e horas. O Rio Grande do Sul é maior e mais belo do que muitos pensam. Adoro a terra em que vivo. Apesar de não conseguir me sentir em casa.
Sempre morei no Rio Grande do Sul. Mas minha cabeça nunca esteve aqui... Um dia eu vou busca - lá, quando descobrir onde está. Mas não estou à procura, pois estou a 22 anos aproveitando a viagem. (Agora 23)

Arte nas areias de Bacopari



Débora Souza - 27.01.09

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Assim

Imagem:blogs.diariodepernambuco.com.br/.../onibus.jpg

-Sobre o que é o livro que tu ta lendo moça?
-Sobre vampiros.
-Mas é vampiro de verdade?
-Não, é só ficção.
-ahhhh... Tu estuda moça?
-Sim.
-Estuda o que?
-Artes visuais.
-Mas tu ta na pública?
-Não.
-Tu já viu que na pública tem cota pra gente escura?(gente escura???heim????quem ensinou isso à ele???)
-Já. Mas acho tudo isso uma grande besteira. Apenas mais uma forma de preconceito.

Foi ai que a conversa acabou. Foi ai que o tio do meu lado, que não sei de onde vinha, mas que falava de um jeito estranho, desistiu de tentar puxar assunto comigo. Já haviam ocorrido outras tentativas anteriormente, do tipo "Pra onde você vai?", mas sem sucesso. Eu estava absorvida de mais pelo livro e sou anti-social de mais pra conversar com um estranho dentro de um ônibus com rumo ao interior.

Estava a caminho da casa de minha vó, no início de julho, férias de inverno. Não pensei muito antes de ir. Pra muitos pode ser normal. No meu caso, é estranho. Sempre pensei de mais. Parei com isso.

Quando cheguei à cidade de minha vó e desci do ônibus naquele lugar pequeno e cheio de neblina as 10:20 na manhã, parei e percebi que era a primeira vez que eu viajava sozinha. Não sozinha apenas sem família, mas sozinha sem família, amigos, namorado e companhias limitadas. Até o momento estava me achando velha por ter 23 anos. Então lembrei que se eu decidisse fazer isso em outra época, jamais me permitiriam.

E é assim que eu percebi que não estou ficando velha e sim livre. É assim que o mundo nos da um banho de água quente e nos tira do gelo. É assim que podemos ir e vir pra onde quisermos... mesmo sem saber pra onde. É assim que fazemos nosso futuro, trilhando por muitos caminhos. É assim que eu percebi que a cidadezinha a qual eu achava chata, quando era criança, é na verdade muito confortável e perfeita pra descansar. É assim que vi que tenho muito em comum com minha vó, quando achava que não tinha nada. É assim que podemos soltar nossas opiniões em ônibus de viagem e encarar as caras feias e risadinhas a parte, sem sua mãe ao lado dizendo "Cadê a educação que eu te dei?". É assim que eu sei que posso fazer minhas próprias escolhas a hora que eu quiser e quando me der vontade.
Débora Souza - 06.08.09

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

23

Imagem retirada do blog: http://lonelyspaceship.blogspot.com

Era uma vez um homem "da cidade grande" que conheceu uma mulher do interior. Eles se apaixonaram e começaram a namorar. A primeira vez que ele a beijou, ela na sua ingenuidade do interior, achou que estava grávida. Parece piada? Parece, mas não é. Esses são meu pai e minha mãe a trinta e muitos anos atrás.


Meus pais namoraram durante 8 anos até se casar. Nas fotos do casamento, meu pai usava terno lilás e gravata bordô. Ainda bem que ao longo do tempo ele adquiriu bom gosto em relação a cores de roupas. Minha mão usava o branco básico de todos os casamentos. Um tempo depois de casados, ganharam minha irmã mais velha, Lilian, hoje com 30 anos. Depois da minha irmã, eles começaram a tentar um menino, mas 4 anos depois veio mais uma menina, Adriana, minha irmã do meio, hoje com 26 anos. Continuaram a tentar um menino. 4 anos depois, eu, mais uma menina. Pararam de tentar. Tentam me convencer que sou a "rapinha do tacho", mas não conseguem. Ninguém me tira da cabeça que sou a pecinha que faltava.


1986 nasci. Não lembro da minha vida antes dos 3 ou 4 anos. Lembro de quando fui pra escola, pré-escola, oh tempinho bom. Lembro de quando fiquei pela primeira vez sozinha em casa e fugi para a escola onde minha irmã estudava. Que confusão que eu criei. Lembro das brincadeiras com as crianças da vizinhança. Lembro que fugia para subir em árvores. Lembro da minha babá e que desde criança eu era péssima em futebol e em qualquer outro esporte. E sempre ficava na goleira, isso significa, o saco de pancadas.


Na adolescência eu descobri que ficar dentro de casa me deixava de mau humor. Até hoje isso não mudou. Descobri festas, vários amigos, conversas longas por telefone, garotos, olhares, ficadas, fofocas, disputas, roupas, futilidade, caminhos certos e errados, pessoas boas e más, o que importa e o que é descartável, confusão, muita confusão e principalmente diversão. Fase confusa essa. Passou. Eu me descobri. Sei quem eu sou. Sei de onde vim. Pra onde vou é um detalhe, que só interessa a mim. Parei de querer o que passou. Tem coisas que não voltam. O que tiver que ser será. Só eu posso escrever o meu futuro. Eu tenho esse poder. Eu quero. Eu posso.


Tenho 23 anos e me sinto com 15. Às vezes chego a agir como se tivesse 15 e não me importo. Odeio me sentir adulta. Adulto é um saco. Adulto é estranho. Até hoje não descobri se adulto não tem lógica alguma ou tem lógica de mais. Mas não importa. Muita coisa não importa. Muita coisa que eu sempre dei importância e não deveria. 23 anos de pensamentos perdidos. Mas também de bons pensamentos. 23 anos de histórias. 23 anos de vida. 23 anos de Débora, a pecinha que faltava.



Débora Souza - 15/06/2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

De repente 23 - OFF -

Eu carrego um dos sete pecados desde sempre. A PREGUIÇA. Eu tenho preguiça de quase tudo. Eu me deixo ser preguiçosa sempre que posso. Ultimamente quase nunca. Eu tinha um cachorro. Eu tinha preguiça dele. Cara, ele latia de mais, comia de mais, dormia de mais, lambia de mais, era teimoso de mais, ele até era gordo de mais! Resumindo, ele me cansava. Mas eu sinto falta dele.
A preguiça é meio masoquista quando você gosta de sentir preguiça em certas situações. Ex: Eu e meu ex-cachorro e eu e minha família...

Eu tenho preguiça dos meus pais. Meu pai começa a falar hoje e só vai parar semana que vem, quando eu já dormi, acordei, pensei 200 baboseiras entre as explicações ininterruptas dele, dormi de novo, babei, fiz de conta que entendia e disse "aham, sim, eu concordo".
- Que? Como tu concorda?
- Sei lá..simplesmente concordo..ou não..xii
Ai eu olho pra minha irmã antena com aquela cara de: Com o que eu estou concordando? Se ela entende ou não, eu não sei. Mas ela sempre irá fazer um comentário. Por que ela sempre faz um comentário. Acho que tenho preguiça da minha irmã também. Enfim, ela comentará e eu saberei do que se trata a minha concordância.

Voltando a minha irmã antena, cujo nome não é antena, mas ela parece uma, às vezes tenho vontade de desligar ela. O problema é que eu tenho preguiça de procurar o botão OFF.

Já minha mãe, acho que tem tanta preguiça quanto eu. Mas é de responder o que eu tenho preguiça de esperar ser respondido. Ela começa a responder, xinga o tio da novela, pensa 5 minutos, depois volta a responder algo nada a ver com a pergunta. Já falei pra ela que isso é consequência da mania doentia de limpeza que ela tem. Minha mãe não consegue ficar dentro de casa parada. Chamo isso de complexo de máquina. Complexo esse, que me da preguiça só de vêla catando tudo que é deixado pelo caminho. Se minha mãe se perdesse jamais conseguiria achá-la através de rastros, por que com certeza ela os limparia.

Eu tinha 5 anos quando caçava minhocas com minhas amigas. Eu até ajudava a caçá-las, com folhas, por que na mão era nojento. Mas eu tinha preguiça e nojo de cuidar delas. Então minha amiga Vanessa, que adorava minhocas, cuidava de todas, enquanto eu ficava off desenhando casinhas pra elas. Eu sou uma abusada? Não. Apenas tenho preguiça. A Vanessa não tinha preguiça e nem nojo de minhocas, então eu boa amiga que sou, a deixava feliz com suas e com minhas minhocas.

Vou fazer 23 em alguns dias e finalmente aprendi a cuidar das minhas minhocas. Hoje não largo mais minhas minhocas nas mãos de pessoas de boa vontade. Quando compreendi a frase, QUER BEM FEITO FAÇA VOCÊ MESMO, aprendi a domar a preguiça. Deixar alguém fazer algo por você, pode ter sérias consequências. Não sabia que ter preguiça podia ser tão ruim. Tive que sair do OFF e colocar a mão nas minhocas.

A Vanessa faz tempo que não vejo. Sei que está casada e com um filho. Nunca a imaginei mãe e casada. Por isso eu admiro a Vanessa, por saber que ela ainda sabe cuidar de suas minhocas sem medo de crescer e viver ON. Acho que é por isso que éramos amigas, um OFF não seria nada sem um ON.

Débora Souza - 03/06/2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

De repente 23 - Lembranças oO Vinhos e memórias fracas Oo

Quinta, noite, escola - ideia...
- Já sei o que vamos fazer amanhã a noite! Comprar um garrafão de vinho, naquele tio aqui perto da escola e tomar lá na tua casa Dé!
- Ok... Vamos fazer uma vaquinha. Eu vou pedir pra minha irmã trazer uma mochila pra levar pra casa.

Sexta , 5 meninas, sentadas na churrasqueira do condomínio, quase bêbadas...
- Cara! Agente tem que parar de falar besteira tão alto. Daqui a pouco vão vir nos xingar.
- Bah! Acho que tem gente na janela de cima. RSRSRSR, viu? A sombra se mexeu, ficou com vergonha e saiu.
- Dé (outra Débora), será que era teu ex??
- Espero que não!!!rsrsrsrsrsrsrsrs

Porque bêbado ri sem motivo? Sei lá, o importante é que são felizes. Mas nem todos riem. Tem sempre uns que choram...
Madrugada de sexta, 5 meninas na rua, 3 bêbadas, 1 bêbada ao cubo e 1 bêbada ao quadrado
- Vamos te levar pra casa.. Ei, volta aqui!
- Gente. Não dá pra levar ela junto! Ta muito bêbada!
- Mas também não podemos deixá-la sozinha. Vai saber o que ela vai fazer.
- Ok, vamos indo. Não!!! Não deita na calçada!

3 quadras e meia hora depois...
- Vou entrar... Amanhã ligo pra saber se chegaram vivas.
- Eu vou ir correndo até em casa... Tchau...

As 3 restantes voltam pra casa...1 bêbada e 1 bêbada ao cubo, carregando 1 bêbada ao quadrado...

3 quadras de volta e meia hora depois...
A bêbada coloca a bêbada ao quadrado na cama, a bêbada ao cubo se deita no sofá e começa a chorar (ela sempre chora quando bébe), o que ela falou no sofá é segredo de estado. Levantou do sofá e foi para o banheiro vomitar. Vomitou todo o banheiro. E adivinhem quem teve que limpar?? A bêbada. Por um mês ela sentia cheiro de vinho toda vez que entrava no banheiro. Por seis meses não podia ver vinho na sua frente.

Sábado a tarde, casa da bêbada ao quadrado...
- Como tu não lembra de nada? Nós tentamos te carregar por 3 quadras e você ficava falando sozinha e se atirando no chão!!!!
- Não lembro mesmo!
- Isso é verdade! Mas ela ta dizendo que eu falei o nome daquele fulaninho, chorando no sofá. Acho que não, porque eu lembro de tudo que eu fiz. Pode me dar um pouco de açúcar, preciso de glicose.
- Precisa de glicose 16:00 da tarde e diz que estou mentindo?! Fala sério!
- Ok, pode até ser verdade. Mas não sai daqui.

OBS: Esqueci de uma parte muito importante que minha amiga me lembrou. Quando a policia nos parou no caminho destas 3 quadras. Não me lembro muito bem, por isso não vou detalhar. Mas sei que não fomos presas,rsrsrs. Acho que deletei esta experiência traumática, por isso esqueci...uhauhahuahuhuau

Débora Souza - 15/05/2009

sexta-feira, 24 de julho de 2009

De repente 23 - Lembranças *%~ FeSTaS ~´:)

Final de festa...
- Cadê ela?- Eu não sei.
- Ela tem que ir lá pra casa e nós temos que chegar juntas.
- Vou perguntar pra alguém.Minutos depois
- Viram ela entrando no carro do Marcelo.
- Eu sabia! Bom, vamos indo. Acho que ela vai ir direto lá pra casa.

Em quanto isso no corredor do apartamento, em frente a porta....
“Meu Deus.. Eu aperto a campainha ou não? Será que elas já chegaram, ou será que ainda estão lá me procurando, ou será que estão no caminho?"

No portão do prédio...
- Nós já estamos a meia hora aqui no portão e nada dela. Nós vamos ter que subir. Daqui a pouco o pai e a mãe acordam e os vizinhos vão começar a descer pra tomar chimarrão, ai tu já sabe como vai ser a fofoca, né?!: “Duas das irmãs do 7º andar, paradas no portão 6:00 da manhã, de maquiagem borrada e blá, blá, blá."
- Ok.. Vamos subir.

Voltando ao corredor...
“Aperto ou não aperto, aperto ou não aperto... Vou apertar”
- ESPERAAAA
A porta do elevador se abre... As três estão salvas.

Débora Souza - 13.05.09